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Os Monstros do Domingo — Por JODF
30 de abril de 2015 — 18:06
Assunto: Rock n Roll — Tags:     

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Levantei cedo no domingo. Ainda com os ouvidos zumbindo muito e as pernas doloridas desci para tomar café. Dessa vez, comi em menor quantidade mas com melhor qualidade.

Nilton e eu saímos sem a Polyana dessa vez. Iríamos mais cedo e pedi a ela que tentasse entrar com uma garrafa d’água para mim.

Saindo do hostel, passei numa farmácia para comprar protetores auriculares. Aproveitei e comprei meia dúzia de copos d’água. Na sequência, passamos novamente no caixa eletrônico do Tietê.

Chegando no Anhembi, a fila estava mais desorganizada. Porém a entrada foi mais rápida e menos tumultuada. Passei na lojinha da Polyana, que conseguira entrar com a minha garrafa. Como achei que os seis copos comprados suficientes, deixei aquela água para ela e para a colega dela. Então fui para próximo do palco.

O palco

A primeira banda começou bem. Até o vocalista abrir a boca. Eles eram um bando de tiozinhos brasileiros e endinheirados. que montaram uma banda para curtir a crise da meia-idade.

Pela movimentação e trajes da galera, a segunda banda tocaria Metal Farofa, ou Glam Metal. Já havia torcido bem o nariz quando os caras entraram e mandaram muito bem. O quarteto Steel Panter não era só musicalmente bom, e nem só visualmente ridículos. A interação entre os quatro cabeludos e o público foi divertidíssima. “Mostra os peitos”, pedia o guitarrista para a mulherada em Português (além de debochar, também em Português, das genitálias dos colegas de banda). A mulherada, é claro, atendia os pedidos dos músicos, para a alegria da marmanjada que olhava o telão. Eles ainda pediram para várias garotas subirem ao palco e agitar com a banda, e claro, quase todas aproveitaram para levantar a blusa. É uma pena nunca ter ouvido falar deles antes!

Antes que alguém caia de pau acusando a banda ou a mim de machismo, de tratar mulher feito objeto e coisas do tipo, não direi que “ninguém obrigou a nada” ou “mostraram os peitos porque quiseram”. Digo apenas que todo mundo se divertiu com a brincadeira, não só os homens. Quem tirou a roupa terá história para contar pelo resto da vida. As mulheres que “se comportaram” riram muito e admiraram a coragem das outras. E principalmente deixo claro que mesmo tirando a roupa, tanto a banda quanto o público, ninguém tocou nelas. Ninguém rasgou a roupa de ninguém. Também não houve simulação de ato sexual entre os músicos e qualquer uma das moças que subiu ao palco.

O excelente guitarrista Yngwie Malmsteen se apresentou depois do Steel Panter. O cara é realmente fenomenal tecnicamente falando. Justamente por isso o show dele foi bem tedioso. No meio da apresentação muita gente sentou-se no chão esperando pela próxima banda.

Na sequência vieram duas bandas razoáveis. A primeira eraUnisonic, encabeçada por um ex-vocalista do Halloween. A segunda, e a mais aclamada do dia até o momento, Accept, da qual reconheci uma ou duas músicas.

Já era noite quando os caras do Manowar subiram ao palco. Conhecia-os apenas de nome. Sabia que muita gente no Brasil curtia eles. Mas não sabia o quanto os Músicos do Manowar gostavam dos seus fãs brasileiros. Os caras amam tanto o Brasil que o baixista da banda aprendeu a falar Português só para fazer um discurso de agradecimento para a galera. E ele discursou de verdade. Não estava lendo e nem decorou nada. A fala dele demorou uns dez minutos sem nenhuma falha ou gaguejo, e terminou dizendo para quem não gosta de Havy Metal, do Manowar, dos fãs do Manowar ou do Brasil “vai se foder”. E claro os caras mandaram muito bem musicalmente também. No final do show, um texto no telão agradeceu e exaltou o público brasileiro e renovou a promessa de regresso do Manowar ao país.

Baixista do Manowar

Logo depois, o Judas Priest voltou ao palco para uma nova performance. Apesar da qualidade impecável da performance e de ter gostado, achei desnecessário os caras tocarem duas noites seguidas no mesmo palco. Mas “foda-se” a minha opinião! A galera curtiu muito ver o Judas sábado e domingo. O guitarrista reconheceu muita gente na plateia que esteve lá na véspera.

Desde de a apresentação do Accept eu já estava bem esgotado, acabado e dolorido. Já estava até me batendo um desespero a espera do final do festival. A preparação para a entrada do KISS demorou de mais. Mas, por todas as diferenças do palco que notei assim que cheguei no Anhembi, em relação ao dia anterior, notei que tudo o que eu vi em Interlagos em 1999 estaria no show daquele princípio de madrugada, menos o telão 3D.

Gene Simons com os dois guitarristas no telão

A cortina caiu (literalmente) perto da meia-noite. Claro, não dá para cobrar a mesma energia de dezesseis anos atrás de caras que já eram velhos naquela época (pelo menos de Gene Simmons e Paul Stanley, Eric Singer e Tommy Thayer não estavam na banda na turnê Pscho Circus). Mesmo assim os caras agitaram e tocaram muito! A guitarra do Tommy Thayer soltou fogos. O Paul Stanley foi de tirolesa até a mesa de som. O Gene Simons soltou sangue pela boca subiu num mini palco sobre os equipamentos de iluminação. A bateria foi suspensa durante um solo de Eric Singer. O quarteto mascarado tocou as melhores músicas em meio a vários efeitos de iluminação, raios laser, fogos de artifício e bolas de fogo.

O show acabou com uma chuva de papel picado em quanto eles tocavam Rock’n’Roll All Night. Não estar no meio disso foi o meu maior arrependimento em 1999. Mas dessa vez eu estava a uma pessoa da grade e quase no meio do palco.  Isso vez valer a pena cada pedaço doído do corpo.

Acabado o festival, localizei o meu colega tocantinense de 19 anos e tão acabado quanto eu. Voltamos ao hostel e comemos salsichas cruas antes de dormir.

Na manhã da segunda-feira o Nilton foi embora antes que eu levantasse. A Polyana nem voltou ao hostel, foi direto do Anhembi para Campinas. Eu desjejuei com uma moça do Espirito Santo e um rapaz (já não tão jovem) de Porto Alegre. Outras pessoas se juntaram a nós e conversamos sobre os shows w sobre várias outras coisas. Então nos despedimos e cada um seguiu seu caminho.

Esse foi um fim de semana que fazia muito tempo que eu não tinha um igual.