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O fim das enciclopédias — Por JODF
7 de setembro de 2015 — 16:59
Assunto: Ciências & Tecnologia, Literatura — Tags: ,    

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Uma foto publicada por JODF (@jodf_) em

Terça-feira passada me livrei dos últimos disquetes, sábado foi a vez das enciclopédias.

Barsa, a famosa Enciclopédia Britânica, a coleção mais velha das três que havia em casa.Foi usada pelo meu pai no antigo Científico (uma das variedades de ensino médio da época).

A Conhecer era a mais legal. No lugar de verbetes em ordem alfabética possuía infográficos em páginas duplas demonstrando os assuntos. Outra diferença em relação às outras enciclopédias, ela não vinha completa, com todos os volumes de uma vez, era vendida em fascículos em bancas. Meu avô comprou todos e os mandou encadernar na época de escola da minha mãe e minha tia.

Já a Delta Universal é do meu tempo de escola. Meu professor da terceira série era vendedor da editora e vendeu a coleção para meus pais. Quase todos na escola, não só eu, tinha essa enciclopédia em casa. Era fácil de consultar, abrangente e atualizada. Até o Collor estava lá! Foi minha grande fonte de consulta por anos. Mesmo com a internet, quando já estava na faculdade, sempre em meus trabalhos exigiu-se bibliografia impressa (até teve uma professora no Mackenzie que proibiu especificamente consultas ao site historiadaarte.com.br). A Delta também foi minha grande fonte de alimentação de curiosidades. Sem sombra de dúvidas, esses livros de capas marrom foram muito importantes na minha formação.

Mesmo se não existisse internet, essas coleções já estavam completamente obsoletas. O mundo mudou muito no quarto de século que se passou desde a impressão da nossa Delta. As três coleções já estavam largadas num canto escuro e úmido da garagem há uns dez anos. Já não podíamos mais guardá-las.

Inicialmente tetamos vendê-las por valores simbólicos na internet. Ninguém se interessou. Depois de consultar alguns sebos, nos sugeriram doar a um asilo aqui próximo. A resposta da instituição informou que encaminharia os livros para a reciclagem, pois contava com internet para os idosos usarem livremente. Resolvemos então encurtar o caminho e destinar nós mesmos os livros à coleta seletiva.

No final da tarde de sábado, coloquei todos os volumes eme caixas na calçada de casa. No inicio da noite as três enciclopédias já não estavam mais lá. Agora ficou uma sensação de vazio, mas sem arrependimento. É como receber a notícia que alguém que você perdeu todo contato há muito tempo tivesse morrido a alguns anos. É uma parte significativa do passado que desaparece sem deixar rastros.