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JODF — Portfólio online

7 de fevereiro de 2016 — 23:15

O Evangelio segundo um marreteiro por JODF
Assunto: Outros/Diversos    

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Sexta-feira, quando embarquei em Francisco Morato para Jundiaí, um senhor com uma bolsa cheia se pacotes de bala sentou-se e começou a puxar papo com um outro. Ele falava bastante alto e reclamava bastante da vida. Dizia que por causa da forte chuva não conseguia vender suas mercadorias nas ruas e estava indo até o terminal Vila Arens para trabalhar protegido.

O interlocutor então perguntou o preço e comprou dois pacotes de bala. O sujeito vendeu, mas disse que não gostava de oferecer o produto nos trens, pois enxerga muito mal e não consegue perceber a chegada do rapa.

Então a conversa desviou para religião. O marreteiro começou a citar o Apocalipse. Citava as trombetas, a abertura dos selos, pragas como o zica e mais um monte de desgraceira da bíblia ou do mundo real. Num discurso odiento, ele dizia que ir na igreja, seja ela qual for, não garante salvação diante à ira de Deus. O outro cara, que se declarou batista, só ouvia. De vez em quando concordava, mas a maior parte do tempo só balançava a cabeça, indicando que estava prestando atenção.

O senhor batista desembarcou na Várzea Paulista. O marreteiro continuou a conversa com um outro cara que estava sentado ao meu lado. O discurso do vendedor de balas começou a irritar-me.

Já estava me preparando para mandá-lo calar a boca, quando me dei conta que “ele poderia estar roubando, poderia estar matando”. Até poderia, se não tivesse dificuldade até para identificar as moedas do troco das balas ou se não precisasse encostar o nariz na bíblia para ler o Apocalipse.

E eu? Em janeiro recebi o que qualquer cristão chamaria de “uma grande benção” e os não-religiosos de “fruto de trabalho duro”.Como não é fruto do meu trabalho, prefiro classificar como benção mesmo. Uma benção tão grande que muita gente nunca consegue nem depois de uma vida dura de trabalho, então não me sinto a vontade para falar sobre isso.

Sendo assim, que direito eu tenho de censurar o marreteiro? A crença numa volta vingativa de Jesus Cristo, quando os filhos-da-puta perecerão e os fodidos, como ele, serão recompensados, é o que o faz sair de casa todas as manhãs sentindo-se uma pessoa digna. Então deixe-o falar. Ele não estava pregando. Estava só desabafando com pessoas dispostas a escutá-lo. Estava me irritando sim. Mas eu não precisava piorar a noite dele, e nem a minha.


25 de janeiro de 2016 — 21:08

A Bandeira dentro da Bandeira por JODF
Assunto: Branding    

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Descobri hoje um detalhe na bandeira de São Paulo que nunca notara antes.

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A atual bandeira contém na sua composição o brasão da cidade sobre uma cruz vermelha. Isso é bem comum em vários municípios do Brasil. Aliás, até 1987 a bandeira de São Paulo tinha só o brasão sobre um fundo branco. Naquele ano, durante a gestão do Jânio, os símbolos da cidade foram reformulados para adequá-los às normas internacionais de heráldica.

640px-Bandeira_da_cidade_de_São_Paulo_(1974_-_1987).svg[1]

O brasão municipal é cercado por uma fortificação acima, galhos de café nas laterais e o lema da cidade abaixo “Não sou conduzido, conduzo” em latim. Dentro do escudo vermelho há um braço de armadura empunhando uma alabarda com uma bandeira hasteada.

E que que bandeira é essa?

640px-OrderOfCristCrossFlag.svg[1]

Do período colonial até 2016, quando o brasão foi criado, São Paulo era representada pela Cruz da Ordem dos Cavaleiros de Cristo, também chamada de Cruz de Portugal. Essa é a mesma cruz que está no centro do brasão e a mesma que preenche o fundo do atual bandeira.

Ou seja, a atual bandeira paulistana é composta pela sua versão anterior somada à sua versão mais antiga.


20 de janeiro de 2016 — 18:26

E tem outra coisa… por JODF
Assunto: Literatura    

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e-tem-outra-coisaO desejo de Charlie Schulz para que seus personagens se aposentassem junto com ele me lembrou do sexto volume da Saga do Mochileiro da Galáxia, aquela que da questão fundamental da vida, do universo e tudo mais e Restaurante do Fim do Universo,  e que deu origem ao Dia da Toalha.

E tem outra coisa… foi lançado em 2011, dez anos após a morte do autor Douglas Adams e dezenove anos após a publicação de Praticamente Inofensiva. Um tal de Eoin Colfer escreveu este livro com a autorização dos herdeiros dos direitos autorais da saga. Nunca tive curiosidade de ler nem a sinopse. Só sei que dizem “que o escritor foi bem fiel ao estilo da obra original”.

Posso estar sendo muito “injusto” com este livro. A Saga do Mochileiro da Galáxia originalmente nasceu como um seriado numa rádio londrina, nos anos 70, e somente ao seu término chegou às livrarias. Não conheço a história do programa para saber se Adams contava com corroteiristas na produção (nem que Colfer seria um deles). Também não sei dizer se os dois autores se conheciam, se eram amigos ou se um era fã do outro.

Mas meu principal motivo do meu desinteresse tenha mais a ver com a conclusão da obra original. A série é conhecida como “a trilogia de cinco partes”. Os três primeiros volumes contam uma história única, contínua e com um final definitivo, o que é a definição exata de trilogia. Já no quarto volume há uma gigantesca reviravolta que reabre a saga de maneira bem surpreendente. E o quinto livro tem uma história totalmente independente, mas também totalmente fiel e coerente a tudo o que foi escrito antes. Porém, ao invés de criar um precedente para outras sequências, o quito volume tem um final muito mais definitivo que o terceiro volume. Então não sei dizer se eu leria uma sexta parte ainda que fosse escrita pelo próprio Adams.

Quando era moleque me ofendia muito se alguém “profanasse” algo que eu gosto. Hoje já não esquento a cabeça nem se o Latino fizer uma versão de alguma música dos Ramones. Então não condeno quem leu ou lerá E tem outra coisa… e nem convoco qualquer boicote a este livro, aos filmes do Snoopy ou O Despertar da Força, e nem quem já foi a algum show do Queen com vocalista convidado.


19 de janeiro de 2016 — 21:39

Minduim e a Força por JODF
Assunto: Cinema, Quadrinhos, TV    

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Passando pelo parque Trianon hoje encontrei uma estátua do Snoopy, o cahorro do Charlie Brown. Semana passada estreou um filme da dupla nos cinemas. Ao ver a figura na Paulista senti algo muito parecido com aquilo que descrevi sobre o novo Star Wars.

Mas o caso do Snoopy é bem diferente do caso de Luke: Charlie M. Schulz não vendeu seu estúdio para uma megacorporação para depois ser chutado de lá. O criador da turma do Minduim aposentou os seus personagens e deixou de produzir as suas tiras diárias em 2000, após 50 anos de publicação. Ele sofria de parkinson e morreu menos de um mês depois.

A história Charlie Brown é a autobiografia de Schulz. Ele realmente ganhou um beagle chamado Snoopy quando era pequeno, depois que um molequinho despejou um balde de areia na sua cabeça. E todos os personagens (ou pelo menos os mais importantes) realmente fizeram parte da sua infância. Por isso antes de se aposentar, o cartunista declarou e testamentou que não queria que ninguém desenhasse ou escrevesse novas aventuras para a sua criação depois que ele morresse.

Também tenho memoráveis lembranças da série “dublada nos estúdios da TVS” e posteriormente redublado pelo Selton Mello. Então entendo toda a nostalgia de todos que se mostraram empolgados com a estreia do filme. Mas até onde eu sei, ele nunca deveria existir, então não tenho nem curiosidade de vê-lo.

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12 de janeiro de 2016 — 15:21

O cara que virava coruja por JODF
Assunto: Cinema, Rock n Roll    

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Não me lembro quantos anos eu tinha quando minha tia levou minha irmã e eu para ver um filme que me deu muito medo. O que me apavorou não foram os monstros que habitavam o labirinto, mas o cara que virava coruja e sequestrava o bebê.

Apesar do medo, não saí traumatizado do cinema. E, embora fosse muito pequeno, até hoje sou fascinado pela Jennifer Connelly.

Na época nem percebi que o homem-coruja tinha um olho de cada cor. Na verdade só soube disso quando já era quase adulto. Também descobri que ator também era um cantor muito famoso pelas transformações de radicais visual durante a carreira. Mas o que mais me impressiona nele até hoje é a sua habilidade para mudar a voz. Só de ouvido, você não diz que o interprete de Space Oddity é o mesmo de Let’s Dance. Por tudo isso, o sujeito ficou conhecido como “O Camaleão do Rock.

Assim como o LemmyDavid Bowie também morreu de cancer logo depois do seu aniversário. Ele nasceu num dia 8 de janeiro e morreu no último 10 de janeiro, dois dias após lançar seu último disco.


6 de janeiro de 2016 — 22:04

O Blog e o Portfólio agora têm o mesmo visual por JODF
Assunto: Design, Internet, O Blog    

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Quando coloquei o novo visual no ar, falei vagamente de um problema estrutural que impediu a fusão do blog com meu portfólio. Depois de muito tempo sem tentar consertar, hoje encontrei a solução. Sabe quando do nada vem uma ideia na cabeça e você corre para conferir e dá certo? Foi o que aconteceu.

Não sei se alguém chegou a reparar no defeito. Ele se manifestava de forma diferente no Chrome e no Firefox, mas não aparecia no Opera. Em páginas com pouco conteúdo (como neste post), a área branca, onde ficam as postagens não se expandia até o rodapé. No navegador da Mozilla, a borda metálica também não chegava até o rodapé. No blog tudo bem, mas no portfólio é melhor que fique feio do que com falhas estruturais graves.

Já apliquei este tema ao portfólio. Mas ainda não uni os bancos de dados. Farei isso nos próximos dias.


5 de janeiro de 2016 — 22:39

Eu pensei que fosse Los Hermanos por JODF
Assunto: Outros/Diversos, Rock n Roll    

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Estava dirigindo hoje quando a 89 tocou uma música totalmente desnecessária. Ela dizia no começo “Moça desce da sacada/Você é muito nova para brincar de morrer”. Uma letra tão deprimente, acompanhada de uma melodia tão tediosa que eu pensei que fosse Los Hermanos.

Tudo bem, entendo perfeitamente que Depressão é uma doença devastadora e que ainda é encarada com muito preconceito. Muita gente ainda acha que é só frescura. Mas não é algo que passa com uma churrascada com a galera. Precisa de tratamento com medicamentos, grupo de apoio, acompanhamento médico e, em casos extremos, com internação. Na minha vida conheci algumas pessoas que sofreram deste mal. Felizmente nenhuma delas se matou por isso.

Sei que muita gente adorará (ou já adora) essa música que ouvi hoje. Mas eu não. Ela não tem nada de positivo. Nada. É só um monte de versos baixo-astral. Não imagino como ajudaria a elevar a auto-estima de alguém. É uma Merda com “M” Maiúsculo.

Você pode até argumentar que o sofrimento sempre fez parte da música ao longo da história. E eu respondo que as melhores e as de maior sucesso, os grandes clássicos de qualquer gênero (qualquer um mesmo) abordam a dor, a angústia, o desespero, a tristeza, a mágoa e tudo mais que causa sofrimento. Seja um típico chifre sertanejo ou os tiros da Quinta Sinfonia, todo mundo enche os pulmões e canta junto quando a desgraceira de alguém começa a tocar. É fácil se identificar ou se compadecer com um artista que tenha o mínimo de carisma e a letra expressa um pouco de esperança.

A dura verdade é que a vida de todo mundo é uma grande bosta. Não só a minha ou a sua. Não só a dos humanos, dos mamíferos ou dos animais Mas a de todos os seres vivos da Terra (e provavelmente de outros planetas habitados no universo). Vale para qualquer religião, incluindo o Ateísmo. Todos precisam lutar diariamente para se alimentar, sem virar alimento de ninguém. Mesmo quem leva uma vida perfeita um dia se depara com o sofrimento alheio e começa a se sentir culpado por algo que acha que se omitiu inconscientemente.

A grande evidência disso é a grande pergunta: “Qual o Sentido da Vida?”. Não basta viver. Se não souber o porquê não adianta.

E é essa busca sem fim que torna o sofrimento tão atraente. É isso que leva tanta gente aos estádios quando o seu time está prestes a cair. É o mesmo motivo que faz o tráfego quase parar numa rodovia para ver um acidente. A procura do Sentido da Vida alimenta o sadismo, o masoquismo e a própria paixão. Se dói é porque está vivo.

Quanto àquela música que ouvi no carro, chegando em casa pesquisei o seu nome (e descobri que não é do Los Hermanos). Minha intensão quando comecei este post era fazer uma crítica musical (o detoná-la, para ser mais preciso). Mas chego à conclusão que ela não merece ser mencionada. E não precisará da minha aprovação para cair na boca da galera. É o tipo de merda que as pessoas que se definem como “intelectualizadas” ouvem. Não é do tipo que os boçais e os medíocres usam para chorar um chifre ou um pé na bunda. Não fala de um sofrimento fundamentado. É só a tristeza motivada pela própria tristeza.


31 de dezembro de 2015 — 18:54

2015, o ano mais mais ou menos da minha vida por JODF
Assunto: Lugares & Fatos, Outros/Diversos    

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2015 começou muito bem para mim: logo em janeiro encontrei um novo emprego. Trabalhei numa pequena operadora de turismo, localizada num condomínio empresarial na Ponte do Jaguaré.

A empresa já estava em sérias dificuldades quando cheguei, então em fevereiro mudamos para um escritório virtual na avenida Paulista. Ficamos por lá por quase cinco semanas. O patrão tentava negociar a rescisão do contrato de localização da antiga sede. Como o proprietário do imóvel não aceitou parcelar a multa, tivemos que voltar para o Jaguaré. Foi um tempo curto, mas era muito legal dizer “eu trabalho na Paulista”.

A empresa vendia um único pacote de viagem internacional e que custava muito caro. Com a disparada do Dollar as vendas, que já eram poucas, secaram-se de vez. A operadora faliu e eu fui para a rua novamente. Apesar de não poder mais contar com seguro desemprego, guardei um bom dinheiro que demorou a acabar.

Ainda no primeiro semestre de 2015 fui ao Monsters of Rock, aquele festival no qual o Lemmy passou mal. Além dos dias de show, de ver o Ozzy e o KISS, também conheci um pessoal muito da hora num hostel onde dormi. Tomei café com gente do Brasil todo. O único ponto negativo daquele final de semana foi tomar banho de caneca com água fria (o bairro estava dentro da área de rodízio que o governo jura que nunca existiu).

Se no ano passado eu fui a Munique visitar minha amiga, dessa vez foi ela quem veio para cá. Ficou uns dois meses por aqui e fizemos muitas coisas juntos. Ela me arrastou para a Parada Gay e para uma missa. Também fizemos uma aula de acrobacias no Ibirapuera e uma de Yoga em Jundiaí. Andamos de stand up paddle em Itupeva. Até consegui uma bicicleta emprestada para facilitar nosso deslocamento pela cidade.

Depois que minha amiga voltou à Bavária meu ano praticamente acabou. O dinheiro que guardei no começo do ano acabou e voltei a mexer na minha poupança onde depositara meu FGTS do emprego perdido em 2014.

A crise se agravou e não consegui mais empregos. Participei de bem menos entrevistas a partir de setembro. No mesmo período de 2014 era praticamente uma por dia (algumas vezes duas por dia). O que impediu-me uma nova colocação ainda no ano anterior foi a viagem marcada para a Europa.

O segundo semestre de 2015 foi muito frustrante para mim. Em outubro já comecei a tomar minhas resoluções para o ano que vem. Minha primeira ação para 2016 será voltar a estudar. Não quero contar só com a esperança que o Brasil melhore (que tenho e me é muito grande). As outras metas, embora já iniciadas, ainda não é conveniente revelá-las.

Eu classificaria 2015 como possivelmente o ano mais mais ou menos da minha vida. Quase tudo de bom que aconteceu se concentrou no primeiro semestre, e as ruins no segundo. Agora, nas últimas horas de dezembro, prevalece o alívio pelo final de mais um ciclo e esperança que 2016 seja bem melhor.


29 de dezembro de 2015 — 11:02

O Lemmy morreu por JODF
Assunto: Rock n Roll    

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O cara completou 70 anos de idade no último dia 24, na véspera de Natal. Então não estranhei o tanto fotos dele no FB ontem a noite antes dormir. Pensei que ainda estavam repercutindo comentários e curtidas pelo aniversário.

Ao acordar hoje, descobri que o Lemmy morreu de um cancer diagnosticado no sábado. Ele soube do tumor exatamente dois dias após o seu aniversário e exatamente dois dias antes do seu falecimento.

Uma das minhas frustrações em 2015 foi justamente o cancelamento do show do Mothörhead. Os organizadores do Monster disseram que o Lemmy passou mal pouco antes de subir ao palco. Muitos que estavam na plateia temiam que ele não sairia vivo do Anhembi. O cara sempre abusou de mais da própria saúde: era diabético, alcoólatra, usava marcapasso, fumava e cometia todo tipo de excesso que um corpo mortal não suportaria.

Na verdade o cara era tão podre que todo mundo, inclusive eu, acreditava que fosse imortal. Pensávamos que ele fosse como o Lobo, que foi expulso do céu e do inferno e era obrigado a permanecer vivo por toda a eternidade.

Vinte dias atrás escrevi um sobre a amizade que existia entre o lider do Mothörhead e os Ramones. Agora Lemmy se juntará a Joey, Johnny, Dee Dee, Tommy e vários outros que “não prestavam aos olhos de quem curte Beatles”, num lugar onde certamente também irão parar todos os membros e ex-mebros do KISS e do Iron Maiden (exceto o Blaze Bale). E certamente, seja onde for este lugar, com certeza será o pedaço mais da hora do próximo ‘plano existencial’.

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28 de dezembro de 2015 — 15:54

O quarto no porão por JODF
Assunto: Arquitetura, Outros/Diversos — Tags:     

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No meu voo entre Buenos Aires e Ushuaia, em 2013, sentei bem próximo as banheiros do meio do avião. Era um Airbus A340, uma aeronave de quatro motores para voos longos, bem larga, com dois corredores internos e poltronas dispostas em três fileiras de 2-4-2 assentos. Na divisa das alas havia quarto cabines sanitárias em cada corredor: duas laterais e duas centrais.

Da minha poltrona, durante toda a viagem notei que vários tripulantes entravam num dos banheiros. Sempre no mesmo. Um não esperava o outro sair. Quando precisei usar, aproveitei e conferi a porta, que era bem disfarçada. Não era para ser percebida pelos passageiros. Aliás, as comissárias sempre olhavam ao redor antes de abri-la e passavam muito rapidamente, com o máximo de discrição.

Faltando pouco tempo para o pouso, os tripulantes começaram a voltar para os seus lugares. Algumas comissárias abotoavam suas camisas e arrumavam as saias. Com a mesma discrição que entraram também saíram: um a um, tomando cuidado para não serem flagrados pelos passageiros. Mas as últimas duas pessoas saíram juntas e consegui perceber que estavam subindo uma escada. Fiquei tentando entender o porquê daquele pessoal descer até o meio das malas.

O mistério acabou semana passada quando li num post do UOL que os aviões para voos de longas distâncias possuem áreas de descaço para tripulantes. As crew rest areas são pequenos alojamentos secretos onde a tripulação dorme ou relaxa durante a viagem. Normalmente são pequenos espaços claustrofóbicos (pé direito baixo e sem janelas) com algumas camas. Normalmente nos Boeings esses aposentos ficam sobre as alas de passageiros, bem em cima dos maleiros. Nos Airbus, as localizações variam em cada modelo (no A340 é mesmo no porão).

Para ilustrar este post e (principalmente) saciar a minha própria curiosidade, procurei uma foto da área de descanso de um A340.

Crew Rest Area A340


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