Arquivos Tipografia - Página 2 de 2 - JODF — Portfólio online JODF — Portfólio online
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25 de maio de 2011 — 08:02

Os Autores Técnicos Brasileiros por JODF
Assunto: Design, Literatura, Tipografia — Tags:     

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De maneira geral, odeio romances literários. Com poucas exceções, não tenho paciência para acompanhar histórinhas sobre as aventuras incríveis de alguém. O que gosto mesmo de ler são livros técnicos e teóricos sobre design, tipografia e áreas correlatas.

Tirando a maioria dos autores sobre tipografia e alguns poucos livros (não digo nem “alguns autores”), os textos brasileiros sobre design e áreas afins são muito chatos. Diferente de boa parte das publicações estrangeiras, sejam estadunidense, europeias, japonesas ou latino-americanas, o material tupiniquim costuma ser teórico de mais e didático além do necessário.

Os autores brasileiros não desenvolvem narrativas em seus textos. A leitura não tem rítimo. Quem escreve recorre de mais a citações e referências de outros, como se não tivessem autoridade prática para sustentar suas afirmações. Parece que esses autores nunca trabalharam de verdade. Que se tornaram professores logo após a faculdade, imendando mestrados, doutorados e pós-doutorados às suas atividades, sem experimentar todo seu conhecimento acumulado.

As obras brasileiras parecem seguir a risca os manuais de monografia  que toda faculdade tem. Dá-se mais importância normas ABNT para trabalhos acadêmicos do que ao entendimento do interlocutor.

Minha teoria? A muito tempo percebo um defeito cultural de nós brasileiros: a partir do momento que você escolheu sua área de interesse, todo resto obrigatoriamente torna-se nebuloso. Quem desenha não escreve; quem escreve não faz conta; quem faz conta não serra uma tábua; quem serra uma tábua não cozinha; quem cozinha não joga bola; quem joga bola escreve. Como se uma atividade impedisse outra.

O patamar elevado que os auto-denominados intelectuais se colocam é outro motivo para este problema literário. “Sou inteligente e estou compartilhando um naco de minha cultura, portanto seja grato e você tem a obrigação de gostar. E se não entendeu o que  escrevi, azar seu”. E muitas vezes, este “naco de cultura” é muito interessante e útil. Mas por si só, não prende o interesse do leitor, nem garante fácil assimilação.

Não citarei autores que agem com este decaso, ou indicar excessões. Certamente cometeria injustiças. Apenas reintero que a maioria dos autores sobre tipografia brasileiro redige textos interessantes. Os outros, plublicam informações relevantes de forma metódica e monótona.

Quando este problema acabará?


3 de janeiro de 2011 — 07:40

Feliz 2011… e 2016! por JODF
Assunto: Branding, Design, Tipografia    

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Ano novo. Sejam todos bem vindos mais uma vez!

As novidades da passagem de ano: Um brasileiro ganhando a São Silvestre, a posse da Presidente Dilma e a marca dos Jogos Olímpicos de 2016.

É até difícil fazer uma análise isenta da “logomarca” das Olimpíadas de 2016 depois do que nos apresentaram para a Copa de 2014. Mesmo assim farei algumas considerações a respeito do símbolo a presentado nas últimas horas de 2010.

A primeira associação que fiz entre as marcas da Copa e das Olimpíadas, foi o gradiente nos elementos humanoides. Este recurso serve dá volume à figura, fica “bonito”, mas como fora usado no símbolo do mundial de futebol, com as mesmas cores, também sobre formas bem curvilíneas. Por conta disso minha primeira reação foi “que merda!”.

Passado o impacto inicial, resolvi dar uma nova chance ao logo. Percebi grande semelhança entre esta marca e a dos Jogos Pan-Americanos de 2007: as formas humanoides lembram muito uma revoada de pássaros, compondo a silhueta dos morros do Pão de Açúcar e da Urca. A parte nominativa, Rio 2016, usando uma fonte com jeito de “calçadão da praia”, é um pouco “ingênua”, mas legível.

Na marca de 2007, o Corcovado, junto com o Pão de Açúcar, mais a praia de Copacabana, formam a imagem de um pássaro. Repetindo-se cinco vezes este desenho, também temos uma revoada. Só nunca ninguém me explicou porque 2007 foi quebrado (200 vertical + 7 horizontal).

A tridimensionalidade é uma característica obvia da marca Rio 2016. Não pelo gradiente, mas a dinâmica das curvas e a sobreposição dos elementos, aliadas às contra formas do fundo branco já me trouxeram uma sensação de volume antes de eu saber que existe uma representação sólida e tridimensional do símbolo.

Porém, se não forem planificados outros ângulos de visualização da peça física, a tridimensionalidade perde um pouco seu sentido.

Copa de 2014

Pan 2007

Rio 2016 3D

Quanta a comparações com logos adotados em outras edições dos Jogos Olímpicos, sejam os jogos de verão ou de inverno, devo lembrar que, embora a tentação seja grande, é impossível fazermos este tipo de análise. A concepção do projeto da marca de um evento, principalmente mundial e com um intervalo tão grande entre as edições, depende de vários fatores culturais, além das características do evento em si:

  • Primeiramente consideramos as características locais, sem descartar a “globalidade” do evento. Neste caso temos o relevo da cidade sede, representando a união de povos;
  • Na sequência, abordamos a “moda” da época. Dê uma olhada nos pôsteres de outras edições olímpicas, e veja como sentimos bem o clima de cada período histórico. Talvez, ainda faltando meia década para os jogos, os organizadores tenham se precipitado em lançar a marca. O que é “bacana” em 2011 pode ser ridículo em 2016;
  • Os meios tecnológicos para reprodução gráfico-industrial também são importantes. Com certeza, aquela peça apresentada pelos organizadores do evento, não foi modelada por mãos humanas. Tipografia, litografia, off-set, fotocomposição, computador, realidade virtual. Mesmo quem conhece as características de cada um desses recursos, consegue perceber a diferença olhando os pôsteres antigos.
  • O último fator relevante, é lembrarmos que uma marca sozinha não faz o evento. Principalmente nas últimas duas décadas isso se tornou fundamental. Todo o projeto gráfico, desde a sinalização dos recintos, passando pela publicidade e o merchandising, chegando até as medalhas, tudo nasce a partir dos elementos da marca decomposta.

De maneira geral, achei a marca bastante interessante. Não digo “linda e maravilhosa”. Mas também está bem longe daquela aberração gráfica e conceitual que nos apresentaram em julho. Esperemos os cinco anos até os Jogos Olímpicos pra ver como os projetos complementares evoluem.

Quanto ao processo de escolha, não li o edital nem o briefing. Não faço ideia do que foi proposto. Não sei se o concurso foi ao “novo estilo ADG” ou se foi mais democrático. E até onde eu sei, o juri final contava com “profissionais da área gráfica”. E espero que entre os mais de 140 concorrentes não houvesse apenas agências de publicidade, mas também escritórios de design e designer autonomos.

Mais uma vez, um ótimo 2011 a todos.


12 de julho de 2010 — 08:17

Bienal Tipos Latinos 2010 por JODF
Assunto: Lugares & Fatos, Tipografia — Tags:     

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Sábado, fui visitar a Bienal Tipos Latinos 2010. Trata-se exposição de fontes tipográficas, criadas por designers de todo continente (menos EUA e Canadá), e ocorre simultaneamente em diversas cidades da América Latina a cada dois anos.

Este ano, por aqui, a mostra acontece no Centro Cultural São Paulo (Estação Vergueiro, Linha 1 – Azul do Metrô). A exposição vai até 29 de agosto e a entrada é “de grátis”.

Basicamente a mostra foi dividida em cinco categorias:

  • Títulos: esta categoria abrange fontes display,fantasias e manuais;
  • Miscelâneas: categoria basicamente composta por fontes de dingbats (símbolos);
  • Experientais: como o próprio nome sugere, são as “fontes viagens”. É difícil descrever esta categoria melhor que isso, pois nela cada fonte é absurdamente única, e não necessariamente segue uma lógica tipográfica clara.
  • Texto: fontes desenvolvidas para uso em blocos de texto corridos. Ao contrário das outras categorias acima, nessas fontes, alta-legibilidade é fundamental;
  • Famílias: uma família tipográfica abrange mais de uma variação de uma fonte (normal, bold, itálico, etc.).

Estes são alguns dos trabalhos que eu gostei, pertencentes às categorias Texto e Famíla. As outras, apesar de ter muita coisa interessante, são muito mais uma questão de gosto do que funcionalidade, por isso não as registrei. Só não tirei mais fotos porque o segurança não deixou.

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Por favor, ninguém precisa comentar a qualidade das fotos.


26 de maio de 2010 — 08:24

Brincando de Fontógrafo por JODF
Assunto: Internet, Tipografia    

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Para aqueles que não sabem, eu sou fontógrafo (ou pelo menos pretendo voltar a ser). O que é isso? È o que também se chama de designer de tipos. Ou simplesmente um cara que desenha fontes tipográficas.

Quem quiser experimentar como fazer isso, ou apenas brincar, pode se cadastrar no site www.fontstruct.com. Lá, com o uso de ferramentas simples é possível criar sua própria fonte. Apesar da baixa complexidade, dá até para fazer coisas bem legais.

Antes deste post, tentei fazer um test driver. Como até agora não recebi o email de confirmação do cadastro, fica para amnhã.


11 de maio de 2010 — 08:08

Arial/Helvetica × Verdana por JODF
Assunto: Internet, Tipografia    

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Se você navega num Apple ou usa o Linux, provavelmente não perceberá diferença nenhuma neste texto. Pra falar a verdade, se você usa Windows vê a diferença, mas não sabe dizer o que é, ou nem percebeu.

O que há de tão diferente? A fonte.

O normal aqui do blog, e pré-programado no CSS (cascade style sheet, ou folha de estilo em cascata) é “Verdana, Arial, Helvetica, sans-serife”. Hoje eu tirei a Verdana dessa fila.

Resumindo rapidamente a história de cada uma:

  • A Helvetica, consagrada como a fonte mais versátil de todos os tempos, foi criada em 1957, na Escola de Design de Basileia, na Suíça. Desde a sua criação, tem sido usada como fonte institucional e em elementos nominativos (logotipos) de várias marcas. É também muito empregada em sistemas de sinalização, tanto de transito quanto em ambientes internos (é, por exemplo, encontrada nas placas e mapas da CPTM e Metro de São Paulo). Ela é tão importante para a história da tipografia no século XX, que em 2007 foi lançado um documentário para comemorar seus 50 anos (ainda não o assisti porque ainda não consegui traduzir as legendas do Espanhol para o Português). Existem versões delan e de suas vaiantes para Windows e Mac.
  • A Arial foi criada pela fundidora MonoType, no final da década de 1980 para ser usada nas primeiras versões do ambiente gráfico Windows, da Microsoft (naquela época ainda não era um sistema operacional independente, rodando sobre o MSDOS). Ela é uma cópia muito fiel da Helvetica, e até hoje, a única diferença que encontrei entre as duas foi a perna do R (na Arial é reta e inclinada, e na Helvetica é vertical e curvada). Os estudos de sua criação visavam preferencialmente seu uso em monitores e televisores. Esta família tipográfica só existem em versão para o Windows. E pelo seu histórico de plágio da Helvetica, muitos designers se recusam a usá- em trabalhos impressos.
  • A Verdana foi criada por Matthew Carter, por encomenda da Microsoft, em 1996, para a segunda versão do Windows 95 (primeira versão do Windows lançada em CD). Estruturalmente falando, a Verdana é mais larga que a Arial e a Helvetica, e sua altura x (altura da letra x minúscula, medida referencial para o desenho de todas as letras minúsculas de uma fonte) é ligeiramente maior que as outras duas. Essas características a tornam mais leves e, ao mesmo tempo, aumentam sua legibilidade em blocos de textos vistos em monitores. Provavelmente foi a primeira família tipográfica, com características voltadas para o uso na internet.

Para termos uma ideia melhor de tudo o que estou dizendo, abaixo coloquei um comparativo bem simples entre a Arial (azul) e a Verdana (preta). Podemos notar as diferenças de largura e da altura x.

Não incluí aqui a Helvetica, por não tê-la instalada no computador. Mas toda observação válida para a Arial pode ser aplicada (“sem dó”) à Helvetica.

A partir daqui volto a usar a Verdana neste post.

Num mesmo corpo (tamanho absoluto no qual a fonte é usada, independentemente de suas características) a Verdana parece muito maior e bem menos densa que a Arial/Helvetica. Isso se torna ainda mais perceptível aqui no texto do post (corpo 12px/15px). Embora as outras duas tenham uma aparência mais formal e sisuda, a Verdana se adapta melhor a um grande bloco de texto em monitores de qualquer tamanho.

Escolher a Verdana e não Arial/Helvetica quando criei o blog, não foi uma escolha baseada em gosto pessoal ou convenções estéticas, mas em questões ergonômicas (ou seja, conforto visual). Além disso, não posso escolher a fonte que eu quiser para um site (X)HTML, pois o usuários final (no caso, você) precisa tê-la instalada no seu computador.

Arial e Verdana são fontes de sistema do Windows, e Helvetica do Mac. Sem elas, esses sistemas operacionais não funcionam. Isso garante que sejam encontradas em quase todos os computadores (menos os que usam Linux).

Para entender como é feita essa “escolha” da fonte para um site: quando se programa o CSS, nas configurações de Font-Family (família de fontes) cria-se uma “listinha” de fontes: “a preferencial (eu quero que seja esta), segunda opção (se não tiver serve essa), uma terceira opção (não custa tentar mais uma vez), uma fonte genérica (serif, sans-serif, ou qualquer outro gênero, no caso de não haver nenhuma das opções desejadas)”.

Embora fontes padrão OpenType são vinculadas a outros tipos de arquivos editáveis (textos, imagens vetoriais, etc), em (X)HTML, PHP, CSS, e outros formatos usados na internet não são, para impedir o fluxo de “conteúdo desnecessário”, agilizando a navegação.

Uma nova linguagem está em fase final de desenvolvimento, o HTML 5.0, e ela promete muitas novidades. Vamos torcer para a “liberação tipográfica” ser uma delas.

Quais são as fontes de sistema do Linux e quais equivalem à Verdana e à Arial/Helvetica? Se alguém souber, por favor me conte.


30 de novembro de 2009 — 08:36

Capitulares por JODF
Assunto: Tipografia    

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2009-11-30_capitular_001oje falarei sobre capitulares. Tipo esse “H” gigante no começo do parágrafo. Este ornamento é usado a mais de um milênio. Provavelmente criada por antigos Monges-Escribas Cristãos, em alguma abadia europeia. Como a única função de suas vidas era transcrever textos antigos para novos pergaminhos, afim de protegê-los da ação do tempo, os monges tinham tempo de sobra para caprichar no serviço:

Além de desenharem cada caractere com detalhes rebuscados, os “enclausurados” aproveitavam para criar grafismos nas laterais das páginas, com referência às plantas cultivadas nos jardins do mosteiro. Somando-se a caligrafia rebuscada com os grafismos laterais, e aumentando um pouco o tamanho, temos as primeiras Capitulares.

Tanto os escribas, quanto os tipógrafos (de ontem, hoje e sempre) usam este ornamento para marcar o início de um capítulo, seção ou algum outro agrupamento de texto, daí o nome, “capitular”.

Nos quatrocentos anos anteriores da história tipográfica, basicamente a única mudança que as capitulares sofreram foi a “perda de cores”. Se você, em casa e/ou no trabalho, vive economizando tinta colorida, ou simplesmente tem acesso apenas a uma impressora P&B, fica fácil entender essa “perda de cor”.

Ao longo do século XX, este recurso foi se simplificando. Com o rápido avanço tecnológico, algumas coisas ficaram mais fáceis e outras mais difíceis de fazer. Quando surgiu a fotocomposição, por exemplo, a sobreposição de caracteres e outros tornou-se algo muito simples de se fazer. Porém focar um símbolo absurdamente detalhado, apenas por “frescura estética”, passou a ser perda de tempo. Provavelmente, este deve ter sido o motivo que levou a se usar a primeira letra aumentada, com a mesma fonte e, algumas vezes, com o mesmo peso como capitular.

Basicamente, as capitulares são posicionadas de duas maneiras: a primeira e mais antiga, alinhada ao topo da primeira linha (normalmente toma-se como referência a linha das ascendentes), forçando um recuo nas linhas seguintes; a segunda forma é alinhar à base do início do texto.

Particularmente, não sou grande fã da leitura narrativa. Por mais estranho que seja, prefiro muito mais um bom livro técnico de design, web ou tipografia do que Harry Potter ou Crepúsculo. Então não posso dizer se os títulos da moda usam ou não capitulares. Mas posso afirmar que raramente as encontro nos títulos que leio.

Na verdade, nem lembrava que existiam. Apesar de muitos jornais e revistas usarem capitulares no início de algumas matérias, quase nunca as vemos na internet. Hoje em dia buscamos muito mais informação na rede que em papel. E como já deu para perceber, na web não é o lugar mais fácil do mundo para implantar este recurso. Pessoalmente, ficou horrível. E para chegar em horrível, foram necessárias muitas correções.

Fara as dificuldades técnicas do uso das letras capitulares na internet, hoje o início do capítulo de um livro é muito bem sinalizado (pelo menos os que eu leio). Nunca vemos um capítulo começando na mesma página que o anterior acabou. Na verdade, raros são os casos em que capítulos começam em páginas pares. Ainda que uma página ímpar abrigue as últimas duas ou três linhas do capítulo, o restante dela e a próxima página ficam em branco (apenas a numeração é impressa).

Com todo este intervalo, e com um generoso recuo vertical para a inserção do título (ainda destacado pela fonte, peso, corpo e, as vezes, pela cor), o início do paragrafo fica bem marcado. Isso tudo torna ainda mais desnecessário o uso de uma única letra gigante no começo da primeira linha do texto.

Não posso afirmar com certeza se as capitulares sempre foram usadas durante os quinhentos anos da história tipográfica. Imagino que este deve ser um recurso que entrou e saiu de moda inúmeras vezes. O que vejo, atualmente, é este ornamento caindo em desuso ao poucos. Quem sabe daqui algumas décadas as capitulares voltam a ser indispensáveis?


26 de outubro de 2009 — 09:29

Use o Mapa de Caracteres por JODF
Assunto: Tipografia    

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Repare nestes dois caracteres: x ×. Percebe a diferença entre eles? E essas duas: ß ß. Olhando rapidamente parecem tudo a mesma coisa, mas não são. No primeiro par temos a letra minúscula (ou caixa baixa) romana “x” e o símbolo matemático para multiplicação (o sinal de “vezes”). E no segundo temos a letra minúscula grega “beta” e a ligatura germânica de “duplo-s” (ligatura é o caractere resultante da junção de duas letras). Os quatro caracteres pertencem à mesma fonte (Verdana Bold).

Se você usa internet a mais de dez anos, como eu, e é do tempo do ICQ e dos chats, provavelmente se lembra quando a molecada usava caracteres esquisitos para criar seus nicknames (ou apelidos). Resgatando alguns do meu próprio ICQ temos alguns exemplos:

*F®£ñTj§tA-haRdCOrE*, «§§»R$$TT®«§§», £îv Tÿ£ër®«PF»*RØ£*, ßåñd¡då Dø Cêü®, £ÅÐy.£e.

Se procurar agora em seu teclado, não encontrará vários destes caracteres esquisitos. Se precisar, sabe-se lá porque, um deles talvez procure uma fonte de dingbats (desenhos) ou alguma que tenha apenas com sinais ou com um alfabeto “não-romano”. Mas naquela época, toda essa molecada (dez anos atrás eramos todos molecada) criava seus nicks e faziam alguns desenhos com símbolos tirados do Mapa de Caracteres, uma ferramenta de sistema do Windows.

Embora pareça um uso fútil para a ferramenta (e realmente era), é bom lembrarmos que o Teclado Padrão ABNT-2 só se popularizou no século XXI, e antes disso até acentuação gráfica era uma complicação (daí surgiram bizarrices como “aum no lugar de ão” e “eh no lugar de é”, que persistem até hoje). Também não existiam inúmeros sites de “fontes gratuitas”. E nem nos chats e nem nos nicks de ICQ era possível usar a fonte que desse vontade. Cada um se virava com o que tinha em mãos. E o que todos tinham era o Mapa de Caracteres.

Hoje temos muito mais recursos. Existe uma infinidade de fontes a venda e gratuitas disponíveis para download. Seja imitando uma marca famosa ou o título de um filme. Seja de “bichinhos fofinhos”, sinais de trânsito ,símbolos de super-heróis ou mesmo figuras eróticas. Isso sem mencionar os emotícones, que antes era assim :+) :+( :+| e agora são assim  🙂 🙁 😐 .

Atualmente, até a “criatividade” se banalizou. É difícil alguém que use recursos tipográficos que vão além do teclado. Mesmo entre os profissionais de design, é raro um que use × ou ÷. Sinais fundamentais como esses aos poucos caem em desuso “mecanicamente” falando.

2009-10-26_caracteres_001Uma fonte bem elaborada abrange muito mais que letras romanas e algarismos arábicos. A Arial, por exemplo, possuí os alfabetos grego e russo, além de ideogramas hebraicos e árabes, dingbats e sinais de programação em “linguagem de máquina”. As maioria das fontes possui símbolos de diversas moedas, algumas possuem até para o Cruzeiro (nossa antiga unidade monetária).

Alguns sinais, como frações (½, ¼) e “aspas e apóstrofos”, são acionados automaticamente os próprios editores de textos e softwares de diagramação. Outros são tão parecidos, que se não ficarmos atentos, trocamos um pelo outro, como no caso do hífen (), do traço (), do travessão () e do sinal de menos ().

É preciso esclarecer que nem todo software aceita qualquer símbolo. Muitas vezes só se descobre após tentar. Mas é sempre muito importante conhecer as ferramentas que se tem em mãos e, principalmente, como elas se relacionam. E quando você desviar das dificuldades, terá um recurso muito poderoso. Ou pode simplesmente brincar com o Mapa de Caracteres, como fazíamos dez anos atrás.


23 de julho de 2009 — 08:03

Helvetica – o Filme por JODF
Assunto: Cinema, Tipografia    

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O que fez você dizer Helvetica hoje?

Quem me deu essa dica de filme foi minha eterna orientadora, Professora Zuleica Schincariol. Um documentário de 2007, dirigido por Gary Hustwit que comemorou os 50 anos de criação da fonte Helvetica. Monstros sagrados da tipografia e do design gráfico, como David Carson, Hermann Zapf, Massimo Vingteli e outros, falam da influência desta família tipográfica em seus trabalhos e no mundo.

No Brasil, o filme só é encontrado em blu-ray, com legendas em espanhol. Mas dá para baixar via torrent, também legendado em espanhol.

Já puxei o vídeo mas ainda não o assisti. Primeiro preciso traduzir as legendas. Mas já vi a abertura dele, deu para sentir que o filme muito bom.

Se você não sabe do que estou falando assista o trailer abaixo.


14 de julho de 2009 — 07:59

Discussão no Orkut por JODF
Assunto: Internet, Tipografia — Tags:     

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Ontem (13/07/09), estava dando uma olhada no Google, vendo se ele já localizava o blog e acabei achando um outro blog (http://ater.com.br/2009/06/13/tipografia-typography-e-type-design/) que reproduzira parte de uma discussão que participei em no final de 2006 na comunidade de Tipografia no Orkut.

A discussão era sobre a denominação correta para quem desenha fontes. Eu e uma outra integrante, Paula Riggolo, nos empolgamos e levamos a discussão quase ao nível pessoal. Provavelmente só não nos ofendemos porque não estávamos frente a frente. A briga foi acalorada.

Se não me engano já tínhamos nos “bicado” em outras discussões por lá. Porém o clima ficou tão pesado que decidi fazer algo a respeito. Imagino que ninguém naquela comunidade soube disso, mas, nem me lembro se a discussão já havia encerrado, procurei-a no MSN e a adicionei.

Paula me pergunto se eu iria xinga-la diretamente. E disse a ela que estava ali justamente para desfazer aquele clima ruim. Conversamos mais algumas vezes, ela me contou sobre o período que ela estudou em Buenos Aires. Eu falei sobre a minha faculdade.

Nunca nos encontramos pessoalmente. Desde aquela época não nos falamos. Mas ali eu tive mais uma comprovação que um debate de ideias, por mais divergentes não deve ser levado ao nível pessoal.

Mas uma coisa hoje, anos depois, posso admitir; a briga foi divertida.

Infelizmente, procurei o tópico na comunidade para passar-lhes o link, mas não o encontrei. Se alguém resolver ir atrás e achar, favor me avisar.


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