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2 de dezembro de 2015 — 09:56

Até Itupeva tem ciclofaixas no centro da cidade por JODF
Assunto: Arquitetura — Tags:     

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Ontem fui muito duro com a “iniciativa” de Jundiaí (população 400 mil) pela construção da sua (talvez) primeira ciclovia. Porém, evitei comparações com cidades muito mais avançadas neste assunto, como São Paulo (população 12 milhões) e Bogotá (população 10 milhões). A quantidade de habitantes, de vias públicas e os orçamentos para trânsito e obras jamais permitiriam uma equiparação justa entre a “Terra da Uva” e qualquer Capital Megalopolitana.

Também não compararei a malha cicloviária jundiaiense com a de cidades de portes próximos e orçamentos equivalentes, como Sorocaba (600 mil habitantes) e Bauru (360 mil habitantes). Meu parâmetro será a vizinha Itupeva (52 mil habitantes), município com 1/8 da população de Jundiaí.

Até Itupeva tem ciclofaixa no centro da cidade. A prefeitura local não teve o mínimo receio em segregar quase um terço de uma avenida onde se localizam várias secretarias municipais, unidades de saúdes e clinicas médicas públicas, bancos, escolas e até o terminal rodoviário.

Sei que a tendência imediata é comparar a iniciativa dos políticos de cada localidade. Mas esse tipo de medida depende muito mais da mentalidade coletiva de aceitar (ou acatar) mudanças no seu modo de vida. Não sei como pensam os itupevenses, mas os paulistanos sempre polemizam numa situação assim: parte da população se entusiasma exageradamente, os outros ficam putos, mas no final todos assimilam e se adaptam à novidade. Já em Jundiaí, embora a tendência seja sempre imitar a Capital (inclusive nas tarifas de ônibus), todo assunto que mexa com o mundinho individual de cada um é e sempre será um tabú.

Inauguração do Primeiro trecho da Checchinato


1 de dezembro de 2015 — 11:21

Nada a Lugar Nenhum por JODF
Assunto: Arquitetura — Tags: , ,    

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O Município de Jundiaí está prestes a ganhar sua primeira ciclovia em um bairro central. Aproveitando as obras de prolongamento da marginal unilateral de um córrego, pavimentou-se parte da calçada com concreto vermelho. A via ligará a Rua do Retiro à Rua Luiz Gonzaga Martins Guimarães (que deveria servir de alternativa à Rua do Retiro, mas que só serve de extensão para o estacionamento do gigantesco condomínio de mais de 400 apartamentos).

A ‘nova avenida’, ainda inacabada, terá menos de 350 metros e ligará a portaria principal do condomínio Practice Residencial Club à sua portaria secundária. Ou seja, ligará nada a lugar nenhum. Quanto à ciclovia do complexo, provavelmente virará pista de corrida e caminhada para os moradores desse condomínio e de outro vizinho. É exatamente o que acontece com a ciclo faixa recreativa, segregada todos os domingos de manhã na avenida Luis Latorre, onde se vê de tudo, menos bicicletas.

Em Jundiaí, bicicleta é vista ainda pela maioria da população como um brinquedo. Para outros “mais moderninhos”, como “fitness outdoor”. Então não existe a cultura de pedalar por mobilidade. Muitos motoristas ainda acreditam que não tem problema em tirar fina (na verdade acham que o problema é a bicicleta andar pelo asfalto). Em compensação, os ciclistas jundiaienses se sentem no direito de furar sinais vermelhos (isso é igual em todas as cidades brasileiras), a pedalar na contramão e sobre a calçada. Tudo para manter o seu ritmo de exercício. Sem falar que são muito poucas as bicicletas como sinalização noturna: é raro ver alguém com olhos-de-gato ou luzes piscantes (e a maioria só sai a noite para dar uma voltinha, depois do trabalho, pelas avenidas mais movimentadas).

Oficialmente essa ciclovia, da marginalzinha, não é a primeira de Jundiaí: existem alguma em parques e outra que liga um bairro periférico a um bairro suburbano, no acostamento de uma estrada municipal. Talvez haja até alguma outra que eu não conheça. Mas no geral o que prevalece é o uso recreativo.

Adoraria acreditar que essa ciclovia do córrego será a primeira de uma extensa malha vermelha que cortará toda a cidade, mas sei que não. Se há uma coisa sagrada em Jundiaí é vaga de estacionamento. Não se criam ciclofaixas ou faixas de ônibus, sem proibir os carros de estacionarem em via pública.

Quanto à nova ciclovia, ela é tão precária que em suas extremidades não há rebaixamento de acesso.

Início da ciclovia michurucaTêrmino da ciclovia michuruca


3 de novembro de 2015 — 22:39

Um vício do pedal por JODF
Assunto: Outros/Diversos — Tags: ,    

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Pouco tempo depois de comprar a bicicleta pude sentir literalmente na pele o que é uma fina. Numa manhã de sábado, enquanto ia para um compromisso no centro da cidade, um Audi A3 raspou na minha mão esquerda. Por sorte foi numa rua de baixa velocidade na qual o carro acabara de entrar, portanto ainda não conseguira acelerar. O susto foi suficiente para me convencer que colocar um retrovisor na bike não era frescura.

Saí a caça de um retrovisor em todas as bicicletarias que encontrei. Busquei na internet. Enfim achei um na Decathlon e fui até lá para vê-lo pessoalmente e, se fosse o caso (como foi), comprar.

Instalei o espelho do lado esquerdo. Penei um pouco encontrar a regulagem correta. Levei um tempo para me acostumar a olha-lo: no começo eu olhava de mais e não prestava atenção a frente (felizmente não cheguei a cair). Depois, ao ver os carros se aproximando, apavorava-me e jogava a bicicleta junto a guia.

Atualmente já superei esses problemas. O espelho já não prende minha atenção e nem me apavoro com o tráfego. O mais importante é que não sou mais pego de surpresa por veículos tirando finas. Ou seja, uso o retrovisor exatamente como faria num carro. De lá para cá, pedalo cada vez mais e dirijo cada vez menos.

Nessas últimas semanas chuvosas, precisei substituir o capacete pelo cinto de segurança algumas vezes. E sexta-feira passada tomei um susto quando tentei passar para a faixa da direita numa avenida. Só entendi o porquê hoje, quando o problema se repetiu: tenho olhado apenas no retrovisor esquerdo do carro. Um vício adquirido pedalando, já que a bike não tem espelho nem no lado esquerdo nem no centro do campo de visão.

Se você trafega apenas pela direita da via isso não é problema. Em qualquer outra situação este é um risco real de acidentes. Então, já que não pretendo abandonar de vez a minha carta, o melhor a fazer é dar pelo menos um passeio de carro toda semana para não perder o costume.

Acssórios novos


21 de outubro de 2015 — 20:28

Microondas subsidiados por JODF
Assunto: Outros/Diversos — Tags: ,    

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Quando comprei minha trava U, a Amazon exigiu um depósito para pagamento de eventual taxação na alfândega brasileira. Esse é um procedimento padrão que a empresa adotou para evitar o retorno das suas postagens caso os compradores se recusem a quitar os custos tributários. Isso também agiliza a entrega aos clientes que optam pela não sonegação. Qualquer quantia que exceda os impostos incidentes é estornado no cartão.  Hoje tentei descobrir se tive algum reembolso desse depósito (mas terei de esperar a fatura chegar).

Isso reacendeu a minha indignação de não termos acesso direto a alguns produtos simplesmente porque os fabricantes descartam a exploração do mercado brasileiro. Pensei em possíveis desculpas para a Shimano, por exemplo, não nos disponibilizar a sua linha de cubos dínamo. O melhor argumento que encontrei foi que as bicicletarias no país só vendem luzes movidas a pilha ou bateria. Como a empresa japonesa não produz esses itens, os dínamos seriam inúteis por aqui.

E por que a própria Shimano não traz um lote de faróis e lanternas para viabilizar o comércio de dínamos no Brasil? Que empatassem os ganhos nessas peças, mas lucrassem muito nos cubos? Exatamente como a loja do Carrefour, no bairro do Limão fez, com fornos de microondas para vender comida congelada.

Quando eu estava na faculdade, meu professor de criação de marcas contou essa história sobre a loja do Limão. Aquele Carrefour da Marginal Tietê, ao lado da ponte Julho de Mesquita, é cercado de favelas e conjuntos Cingapura. Então o gerente do hipermercado encomendou uma pesquisa de perfil para os potenciais clientes que habitavam o entorno e entender suas principais necessidades.

O relatório mostrou que a maioria dos moradores da região, trabalhava em bairros distantes e gastavam muito tempo no deslocamento diário. Consequentemente, todos chegam em casa com muita fome e cansados de mais para encarar o fogão. A gerência da loja descobriu então um nicho: comida congelada barata, produzida na própria loja. Mas como descongelar este rango, se a mesma pesquisa mostrava que poucos vizinhos tinham microondas? Se fosse para perder um hora no forno comum, ninguém quereria os PFs do Carrefour.

A solução para este possível impasse foi exatamente a mesma que eu sugeriria à Shimano: o Carrefour importou um lote de fornos de microondas baratos e os vendeu na loja do Limão a preço de custo. Hoje cada cliente tem onde esquentar a sua janta, que compram congelada no hipermercado ao lado de casa.


16 de outubro de 2015 — 22:11

A Trava U por JODF
Assunto: Ciências & Tecnologia, Design — Tags: ,    

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Alguns meses atrás, fui alertado por quase todos os funcionários da academia que frequento sobre o crescente número de roubos de bikes no estacionamento do local. Como todas as unidades da rede tem uma placa desencorajando os alunos a irem malhar pedalando (“proibido a permanência bicicletas neste local”), pensei que estavam apenas tentando me persuadir. Semanas atrás, quando chegava na academia, um garoto abordou-me e alertou que o meu cadeado (de cabo de aço comprado na minha bicicletaria de confiança) não era seguro. Ele se identificou como uma das vítimas dos furtos anteriores.

Nunca confiei de verdade na minha trava. Não importa onde estaciono na, quando volto contando com uma pequena chance de roubarem mais minha bike. É sempre um alívio reencontrá-la. Então, senti que era hora de comprar uma u-lock: uma daquelas travas rígidas que realmente parecem um cadeado gigante.

Procuro uma trava u já há muito tempo, até mencionei isso quando falei sobre o cubo dínamo. Mas as dificuldades para encontrar o cadeado no Brasil são exatamente as mesmas com que me deparei na compra do dínamo: ou pago um preço absurdo em alguma loja on line que contrabandeou um produto de qualidade ou fico com uma peça de qualidade duvidosa baratinha. Isso sem falar no descaso dos fabricantes, comerciantes e blogueiros, não esquecendo dos consumidores e a velha mentalidade de “ou é a culpa é da Dilma ou é do Alkimin”.

Adotei exatamente a mesma estratégia usada para o cubo dínamo: comprei diretamente do exterior e assumindo o risco de ser taxado da alfândega. Mas dessa vez o produto veio dos EUA.

A trava chegou hoje. E, assim que a recebi, fui até a praça em frente a minha casa testá-la e aprender a usá-la.

U-Lock no postinho de placa

O preço acabou pesando muito na escolha. Comprei uma com nível de segurança 6 (1 é o mínimo e 10 o máximo). Temi que fosse pouco. Impressão que se desfez assim que a pequei pela primeira vez: ela é bem robusta!

Essa u-lock vem com um suporte para fixá-la no quadro, um par de chaves codificada e um cabo de aço extra para prender a roda da frente. O ritual completo para prender a bicicleta ficou até um pouco mais rápido do que era com o antigo cadeado.


6 de outubro de 2015 — 22:21

Outra bicicleta fantasma por JODF
Assunto: Lugares & Fatos — Tags: ,    

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Ontem a noite penduraram esta Ghost Bike ontem a noite

Ontem a noite, penduraram esta ghost bike.

Também foi ontem a noite que Ciclista morre atropelado em Jundiaí após motorista passar sinal vermelho, no dia 27 de setembro. Um sujeito furou o sinal vermelho em alta velocidade e matou o rapaz que pedalava. Com a mesma velocidade que atropelou, o motorista fugiu sem prestar socorro. E ele tem muita sorte, pois se fosse um ônibus ao invés da bike, seria o carro dele pintado de branco e pendurado no poste, pois seria impossível frear e evitar a colisão.

Não conhecia o garoto atropelado. Muita gente diria que “ele teria uma vida inteira pela frente, pois só tinha vinte e um anos”. Mas mesmo que tivesse oitenta e dois, a gravidade seria a mesma. Homicídio é homicídio, não importa quem matou e nem quem morreu. Por isso sempre que a imprudência de alguém acaba com a vida de outro  penso “poderia ser comigo”, pois seria com qualquer um que tivesse o azar de passar ali naquele instante.

A polícia e a Guarda Municipal já estão quase identificando o veículo que causou o acidente. Quando o acharem, provavelmente o motorista alegará que fugiu porque ficou muito “abalado” com o ocorrido e será liberado por ter expirado o prazo do flagrante. Tomara que eu esteja errado.


26 de agosto de 2015 — 14:06

A compra do Cubo Dínamo por JODF
Assunto: Ciências & Tecnologia, Outros/Diversos — Tags:     

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No último post falei sobre o cubo dínamo que comprei, como o descobri e como funciona. Hoje falarei das coisas desagradáveis deste processo.

A própria forma como descobri o produto já é um grande problema. Precisei atravessar o mundo literalmente para descobrir que existia um cubo capaz de gerar eletricidade. Pior, este sistema é algo que uma criança de oito anos aprende na escola como usá-lo, lá na Bavária. Sei que muita gente pensa numa hora dessas “ah mas Europa é outra história”. Mas por que precisa ser assim? Estou falando de um produto fabricado na indonésia, de uma marca japonesa, sinônimo de qualidade e confiabilidade em componentes de bicicletas e que possui sede própria no Brasil.

Muita gente se gaba por comprar produtos na internet em sites estrangeiros. Vários desses “importadores” se orgulham por conhecer “as manhas” para burlar a fiscalização aduaneira. Esse processo de international e-commerce parece ser um ótimo exercício para reforçar o Complexo de Vira-Lata que uma parte da classe média insiste em conservar: ter algo que ninguém no Brasil tem (porque “aqui é um país atrasado”).

Muitas vezes, tal produto até existe oficialmente por aqui, “mas comprar fora fica mais barato, porque os impostos são muito altos”. A todos que chegam a esta simplória conclusão, pergunto se vocês sabem a tributação se dá de acordo com a relevância do produto (quanto mais fundamental, menos imposto) e é proporcional ao valor da mercadoria, ou seja, o que é barato paga menos imposto do que o que custa mais caro (a taxa é percentual, não é um valor fixo imutável)? Para não restar dúvidas, a regra primordial para formulação de preços, qualquer coisa vale exatamente o quanto o consumidor está disposto a pagar. Se você joga o preço para cima e as pessoas pagam, ele se sustenta caro, se não ele cai até um patamar mais aceitável.

Outro problema em potencial: e se o meu cubo dínamo não estivesse funcionando? Não adiantaria eu contatar a Shimano pois, apesar de ser a fabricante, como ela não distribui o produto oficialmente no Brasil, não tem obrigação de cumprir garantia ou de oferecer uma rede de suporte técnico (mesmo que eu pague pelo conserto).

Até encontrei uma ou duas bicicletarias brasileiras oferecendo o cubo dínamo na internet, mas nenhuma oferecia as luzes para ligar nele. E, possivelmente, essas lojas tsmbém devem traser o produto como contra-bando e e não fornecem nota fiscal ou garantia. Então optei mesmo pela compra na loja alemã, que não colocou nenhum tipo de proteção às mercadoria dentro da caixa, apenas as embalagens originais.

O pacote chegou às minhas mãos destruído! “A mas a culpa não é dos Correios Brasileiros ou da Receita Federal?”. Não, as fitas adesivas com o logo da loja estavam intactas e o pacote não foi tributado nem pelo valor declarado na nota fiscal que estava fora da caixa. Os Correios Brasileiros ainda colocaram a caixa destruída dentro de um saco plástico para que nada escapasse ao papelão destruído. A culpa foi da loja mesmo que pensou “é para a SudAmerika então foda-se”.

Depois de buscar a roda já com o cubo instalado numa bicicletaria de minha plena confiança (onde os funcionários não tinham a mínima ideia da existência da peça), não consegui fazer as luzes acender. Nas respectivas embalagens não contatavam manuais de instalação ou informações básicas sobre voltagem ou potência elétrica. Peças alemãs, fabricadas na Alemanha por um fabricante alemão. Não sei o que diz a legislação europeia (ou a alemã), mas a nossa obriga o fabricante a fornecer instruções e informações técnicas básicas.

Por fim, acessando o site da Busch & Müller (B+M), na sessão de “perguntas frequentes” descobri que a possível causa do não funcionamento seria o uso de um dispositivo estabilizador que protege a lanterna traseira de sobrecarga elétrica. A peça de segurança veio junto com o dínamo, ou seja, a própria Shimano recomenda o seu uso. Mas a B+M obriga a sua remoção completa e não garante claramente se a lanterna tem um dispositivo interno de proteção.

Após remover o estabilizador da Shimano as luzes acendem. Mas não se apagam ao desligar o interruptor. Não há informação sobre isso nem na embalagem e nem site (já procurei nas perguntas frequentes e nada consta). O motivo mais plausível saiu do vídeo postado no site da bicicletaria alemã: as luz se mantém acesas por um tempo quando a roda para, isso mantém o ciclista visível num semáforo fechado. Imagino então que, após sessar a alimentação elétrica, as luminárias descarregam as suas baterias internas para não viciá-las. É só uma especulação, não tenho como saber ao certo se é isso ou algum defeito.

Para coisas assim, o brasileiro se acomodou a colocar a culpa no governo (seja qual for legenda no poder). Mas eu prefiro responsabilizar, exatamente nesta ordem: os fabricantes, a maior interessada em divulgar o seu cubo dínamo é própria Shimano, o mesmo vale para as luzes; os fabricantes de bicicletas, Por que a Caloi, por exemplo, não oferece a peça como diferencial de alguns modelos?; as bicicletarias que devem se atualizar sobre tecnologias disponíveis e negociar a distribuição dos produtos junto aos fornecedores. Não sei em que posição entrariam, mas os cicloativistas também teriam um lugar nesta lista, pois todos eles se gabam de suas U-Locks importadas, mas nunca vi qualquer um levantar a questão da disponibilidade da trava ou qualquer item de segurança no Brasil.


24 de agosto de 2015 — 22:39

Cubo Dínamo por JODF
Assunto: Ciências & Tecnologia — Tags: , ,    

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O cubo dínamo montado na roda dianteira

Na minha viagem de volta a Munique, no final do ano passado, notei que quase todas as bicicletas tinham o cubo dianteiro bem maior que o normal.

Eu visitei uma família que morava numa cidadezinha vizinha a Munique. As bicicletas das crianças seriam vistoriadas na escola no dia seguinte. Cada aluno recebia uma apostila com os itens de segurança obrigatórios. Descobri então que aquele cubo dianteiro exagerado era um dínamo (um gerador que usa a rotação da roda para geral eletricidade).

Cheguei até a cogitar comprar um cubo dínamo em Paris. Mas acabei não procurando uma bicicletaria.

 Minha amiga da Bavária veio me visitar. Depois que ela foi embora decidi pedir, se um dia ela voltar, que me traga uma trava u-lock. Procurando o site de alguma bicicletaria alemã para cotar o cadeado, resolvi simular o frete e descobri que não ficava tão caro. Então importei o dínamo e as luzes dianteira e traseira. Semana passada mandei instalá-lo (aquele da primeira foto é o meu).

Luzes alimentadas pelo cubo dínamo

O cubo é Shimano, mas as luzes são de um fabricante alemão, a Busch + Müller. Por segurança, elas acumulam energia e se mantém acesas por quatro minutos após a bike parar (assim, quando se para num semáforo você continua visível).

O farol dianteiro fica intermitente com a roda em movimento e firme quando parada

O farol dianteiro pisca enquanto a bicicleta está em movimento. A intermitência aumenta a atração visual. Quando se está parado a luz é firme e constante.

Quanto menor a velocidade da bike maior a intensidade luminosa da lanterna traseira

A lanterna traseira tem seu brilho inversamente proporcional à velocidade. Quanto mais de vagar, mais intensa é a luz. É como se a bicicleta tivesse uma luz de freio.

Quebrei um pouco a cabeça para entender exatamente como o sistema todo funciona, mas agora já está tudo ajustado.


19 de agosto de 2015 — 22:31

Ghost Bikes na cidade e Cruzes na estrada por JODF
Assunto: Design, Lugares & Fatos — Tags: ,    

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Ghots Bike na Paulista

Hoje a tarde passei pela av. Paulista e encontrei esta ghost bike. Já tinha ouvido falar nela, mas nunca reparei o local onde ela ficava. Ela pertencia a uma mulher que morreu atropelada por um ônibus anos atrás.

As bicicletas fantasmas (em inglês, ghost bikes) são uma versão moderna, urbana e mais macabra daquelas cruzes de beira de estrada. Antigamente era comum em toda estrada encontrar pequenos altares ou apenas cruzes às margens de rodovias e vicinais marcando acidentes ou atropelamentos com mortes. Literalmente era uma homenagem das famílias aos entes queridos que nunca chegaram aos seus destinos.

Quanto mais cruzes, mais mortal a estrada. Barrancos sem acostamento e curvas fechadas e estreitas era onde mais se viam esses memoriais. Como hoje há muitas rodovias privatizadas, as concessionárias eliminaram muitas delas para apagar o passado macabro da via.

Hoje temos as ghost bikes. Há várias espalhadas por São Paulo e por várias outras cidades pelo mundo (sei que até Jundiaí tem uma, mas nunca a vi). Quando um ciclista morre, pega-se a magrela que ele pedalava na ocasião, pinta-se ela de branco e a fixam permanentemente no local.

Quando você vê uma cruz na estrada só sabe que alguém morreu ali. Não sabe o aconteceu e nem com quem foi (a não ser que haja um pequeno altar com uma foto). Passa rápido o suficiente para nem reparar na sua presença. É algo totalmente impessoal. É praticamente só um dado estatístico.

Já uma ghost bike foi uma peça importante do fato. O estrago da bicicleta após o acidente fica eternizado no local. Você pode passar por ela a pé. O seu carro, moto, bicicleta ou ônibus pode parar ao seu lado quando sinal fechar. Então é possível de analisá-la e, mesmo que você nunca tenha ouvido falar do ocorrido, imaginar exatamente como o ciclista morreu. É um memorial muito mais eficiente.


05:15

O Dia da Fotografia e do Ciclista por JODF
Assunto: Lugares & Fatos — Tags: ,    

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Auto-Retrato (L810)

Eu já sabia que hoje é o Dia Mundial da Fotografia a alguns anos. A data marca a apresentação oficial do primeiro sistema fotográfico a venda comercialmente, em 1839 na Europa.

Ontem descobri que 19 de agosto também o Dia Nacional do Ciclista, homenagem a um universitário morto por um carro quando pedalava por Brasília em 2007 (o pior motivo possível).

Largo de São Bento

Coincidência pura que os meus dois principais hobbies sejam celebrados exatamente no dia do meu aniversário.


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